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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Siemens sai do ramo de equipamentos nucleares

A empresa Siemens, declarou que abandonaria o ramo de equipamentos para geração de energia nuclear. Isto gerou grandes dúvidas em relação a usina de Angra 3, alternativa brasileira de energia nuclear que utilizará os equipamentos da multinacional alemã, que estão encaixotados a mais de 25 anos esperando sua implementação.


A Siemens tomou esta decisão após o acidente nuclear da usina de Fukushima e do projeto da primeira-ministra alemã Angela Merkel, que visa a desativação de todas as usinas nucleares alemãs até 2022. Segundo o Peter Loescher, diretor presidente da empresa alemã este é o "projeto do século". Dessa forma a companhia vê uma mudança no rumo dos negócios da energia nuclear, já que, naturalmente a Alemanha era um grande cliente, sendo que suas 17 usinas foram construídas com equipamentos  da empresa.

Já a Eletronuclear, estatal responsável por Angra 3, diz que saída da empresa alemã do ramo nuclear não impactará na nova usina brasileira e na manutenção de Angra 1 e 2, as quais também utilizam equipamentos Siemens.

De acordo com as informações da Eletronuclear, todos os equipamentos e serviços ainda necessários serão fornecidos pela estatal francesa Areva, empresa que tinha uma join-venture com a empresa alemã até 2009 para o setor nuclear.

Estas notícias preocupam a respeito das nossas usinas nucleares. Afinal, este tipo de energia é altamente perigoso se não houver uma busca de excelência processual, segurança e manutenção nas usinas. Espera-se que a Eletronuclear tenha a responsabilidade de manter as usinas em perfeito funcionamento e não ignore as mudanças em relação a Siemens, já que é a fornecedora principal do equipamento e tem o know-how de manutenção e suporte. 


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Alemanha anunciou fim de suas centrais nucleares até 2022

Após o acidente da usina de Fukushima no Japão em 11 de março de 2011, muita discussão surgiu a respeito da segurança e do custo benefício acerca da energia nuclear. Movimentos anti-nuclear surgiram com força no mundo inteiro pregando o fim das usinas e de sua exploração.

Porém sabe-se que hoje a energia nuclear representa uma importante parcela da matriz energética de alguns países, sendo a principal estratégia de alguns governos para suprir a demanda energética para a população e o desenvolvimento econômico. Podemos citar nesse quadro a França, com cerca de 76,80% de sua matriz originária de usinas nucleares, assim como o EUA com quase 20% de participação desta forma de geração. Embora deva-se lembrar que a produção dos Estados Unidos representam cerca de 32% do total de energia nuclear produzida no mundo.¹

Com o acidente japonês causado pelo Terremoto e agravado pelo Tsunami que seguiu a catástrofe, alguns governos estão repensando seus programas nucleares. Pressionados pelos movimentos ambientalistas e anti-nucleares a discussão foi aberta, porém não se sabe até que ponto os governos estarão dispostos a mudar a estratégia de ampliação de infra-estrutura e oferta de energia. 

No final do mês de Maio, o governo alemão anunciou que irá encerrar suas centrais nucleares até 2022². Anteriormente, os planos eram que dos 17 reatores do país o último seria desativado em 2036, agora esta data foi adiantada em função das preocupações geradas com o acidente de Fukushima. 
Milhares de pessoas participaram de protestos no dia 28 de maio, em 21 cidades da Alemanha exigindo que o governo acelerasse o processo de abandono da energia nuclear.Reuters

A Alemanha adotará realmente a postura de encerrar seu programa energético nuclear? Segundo o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Norbert Roettgen, a decisão é definitiva e não será revista no futuro próximo. O país tem uma participação significativa da energia nuclear em sua matriz, atingindo 25,90% de participação¹. Desta forma nunca se sabe as mudanças que de fato ocorrerão nesta década e as fontes que irão substituir a fonte nuclear de energia na Alemanha. 

A energia nuclear está agora nos olhos do mundo como vilã, mas um dia já foi consagrada como a salvação. Acredito que nos dias atuais o nível de compreensão da tecnologia nuclear amadureceu bastante e taxa-lo como ruim ou bom seria um grande equívoco. Será necessário avaliar caso a caso os prós e contras da energia nuclear, alinhando a disponibilidade de recursos energéticos dos países a uma diversificação da matriz energética. Só assim um julgamento adequado poderá ser feito para determinar o rumo das usinas nucleares.

No caso do Brasil, até agora não foi revisto o plano nuclear e ao que tudo indica as pressões populares não terão grandes sucessos em abrir amplamente esta discussão. Fica aberto o espaço de discussão sobre energia nuclear no Entropia Livre e até o próximo post!

¹ Fonte: Eletronuclear

             Por Bruno Firmino

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