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terça-feira, 19 de junho de 2012

Mova seu carro com gás de esgoto

Estação de Tratamento de Franca-SP
Na onda da Conferência RIO+20, o Entropia traz uma interessante tecnologia que está sendo instalada na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da cidade de Franca (SP). Trata-se de uma forma de aproveitar o biogás desperdiçado no processo de tratamento dos efluentes para gerar combustível para automóveis e energia elétrica.

A experiência é fruto da parceria da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha. O investimento estimado é de R$ 6 milhões, sendo que R$ 5,1 milhões serão aplicados pelo governo alemão por meio da Iniciativa Internacional de Proteção Climática, do Ministério do Meio Ambiente. Um biodigestor vai captar e processar diariamente 2.700 m³ de biogás, o qual será convertido em 1.800 m³ de biometano ou gás natural veicular (GNV), que tem o mesmo poder calorífico da gasolina. O grande diferencial do projeto será o tratamento realizado no gás, o qual passará por purificações diversas vezes para não exalar mau cheiro ou danificar o motor dos veículos.
 
Como o projeto é experimental, inicialmente o combustível abastecerá 49 veículos da estatal paulista. Segundo estimativa da organização ambiental World Resources Institute cada litro de gasolina emite cerca de 2,28 kg de CO2, dessa forma o projeto levará a uma redução da emissão anual de 1,5 milhão de toneladas de dióxido de carbono e economia de 1800 litros de gasolina por dia.
 
Na Alemanha esta tecnologia tem sido aplicada para aumentar a participação de energia limpa na geração de eletricidade, e assim ajudar na substituição das usinas nucleares, que encerrarão as atividades até 2022, conforme anúncio feito pelo governo alemão.

A tecnologia é viável para qualquer cidade com mais de 20 mil habitantes, segundo Werner Sternad, pesquisador do Instituto Fraunhofer. Em São Paulo, por exemplo, existe a geração de aproximadamente 5 mil m³ de biogás por hora que poderiam ser convertidos em combustível ou eletricidade, em vez de realizar a simples queima do gás, como é feito atualmente.

Estação de cogeração de energia da ETE Arrudas - MG
O biogás sem o tratamento para atuar no motor de veículos também pode ser utilizado para a geração de energia elétrica. Recentemente a COPASA inaugurou uma estação de cogeração de energia na ETE de Arrudas (MG), que aproveitará o rejeito gasoso para gerar 90% da energia que a estação de tratamento requer e ainda aproveitar o calor gerado para melhorar a eficiência dos biodigestores.

Gerar combustível ou energia dos esgotos é realmente muito interessante, por integrar soluções e buscar a maior eficiência energética. Não é apenas o tratamento do esgoto que libera biogás, sendo outra importante fonte desse gás os aterros de lixo. O Aterro dos Bandeirantes, em São Paulo por exemplo, tem potência de 20 MW de energia elétrica, sendo um dos 4 projetos em aterros brasileiros que geram energia através do aproveitamento do biogás.

Soluções que integrem formas corretas de descarte de lixo, tratamento de esgotos e geração de energia são exemplos de tecnologias para obtenção de uma matriz energética mais diversificada e sustentável. Porém, estas iniciativas ainda representam um baixo incentivo para sua ampla utilização, sendo encontradas apenas em aterros e ETE's de referência. Um dos principais entraves é a falta de investimento na coleta e descarte correto dos resíduos, assim como do tratamento dos efluentes.

Referência: Revista National Geographic Brasil (2012, ed147-A)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Rio+20: A prestação de contas após 20 anos

O Brasil em 2012 sediará uma importante reunião, o Rio+20. Trata-se de um encontro entre os principais chefes de Estado do planeta para discutir os rumos e as medidas que orientarão as estratégias de desenvolvimento dos países quanto às questões sócio-ambientais. A primeira vista, você deve pensar que será mais um evento onde discursos hipócritas e promessas que não serão cumpridas são feitas. Mas não se engane, o encontro é muito importante para o mundo e para o Brasil.

Ele marca os 20 anos da Conferência Rio+92, a qual culminou na criação de importantes documentos, como a Agenda 21, a Carta da Terra e as Convenções do Clima e da Diversidade Biológica. Foi uma série de compromissos que mostraram um olhar mais preocupado dos países para a exploração dos recursos naturais. De fato, muita coisa permaneceu igual de lá para cá, mas muita coisa mudou. A discussão sobre o meio ambiente se intensificou e muitos países e empresas vem investindo em tecnologias mais sustentáveis. O mundo está longe de estar a salvo, mas pelo menos, agora sabe-se que alternativas precisam surgir o quanto antes para garantir a prosperidade do planeta.

O evento irá trazer  novas discussões e deverá servir como um balanço dos progressos feitos nos últimos 20 anos. Acontecerá de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro.Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, está prevista a III Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reunirão representantes governamentais para negociações dos documentos a serem adotados na Conferência. Em seguida, entre 16 e 19 de junho, estão programados eventos com a sociedade civil. De 20 a 22 de junho, ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a presença de diversos Chefes de Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas.

O mundo já viu que os compromissos feitos pelas altos escalões dos governos não valem muito, por isso, para que a reunião surta efeitos reais e crie compromissos sérios entre os países é necessário participação popular, acompanhamento e cobrança de medidas sérias e efetivas. Devemos ficar atentos ao Rio+20, dar a devida importância e participar na medida do possível. 

A Universidade de São Paulo, USP, lançou um site com diversas contribuições ao evento, disponibilizando textos e pesquisas a respeito dos temas que serão tratados. Além disso, a organização da Conferência lançou um espaço de discussão on-line. No qual, qualquer pessoa pode se cadastrar para participar e acompanhar discussões que serão levadas à Conferência em Junho.

O site Planeta Sustentável lançou em seu portal o Blog Rio+20, que reuni diversas notícias relacionadas à Conferência da ONU, o qual é uma boa indicação para quem quiser acompanhar as notícias antes, durante e depois do evento.
Rio de Janeiro aguarda uma das Conferências mais importantes do ano: O Rio+20. Espera-se que os governates aproveitem está oportunidade  para que  a discussão  gere bons frutos após as reuniões.

Ref. Rio+20

sábado, 7 de abril de 2012

Ter ou não ter sacolas plásticas...


...Eis a questão!
Hábitos enraizados no nosso dia a dia são difíceis de mudar. Um grande exemplo foi dado na épica saga da retirada das sacolas plásticas dos supermercados de São Paulo.  Tudo começou com uma iniciativa da Associação Paulista de Supermercados (APAS) que lançou uma campanha em Janeiro de 2011 na qual os  associados deveriam acabar com a distribuição de sacolinhas. Não demorou para  perceber que a medida não foi bem aceita pela maioria dos consumidores. Desta forma, o Ministério Público suspendeu a medida e estabeleceu um acordo de regulamentação da distribuição das sacolinhas, no qual estabeleceu um período de adequação para os consumidores e supermercados. Chegamos ao mês de abril e esse período  acabou. Assim, ficou convencionado que não haverá mais sacolinhas plásticas nos mercados.

Não acredito que a saga tenha chegado ao fim. Afinal, hábitos são difíceis de mudar. A campanha lançada pela APAS possuí muitos pontos falhos, principalmente no que diz respeito a comunicação com os clientes e um modelo claro que os ajude na mudança de hábito e proponha alternativas viáveis aos usos da sacolinhas, que vão além de transportar produtos e cumprem um ciclo caseiro de armazenagem de lixo e descarte ao aterro.

Impactos decorrentes do excesso de sacolas plásticas no ambiente
Apesar dos problemas e falhas de implementação do projeto, a iniciativa é louvável no que tange a repensar os hábitos e propor a sociedade um modelo mais sustentável gerando um impacto menor. Embora haja muitas críticas a respeito da medida, na prática as pessoas irão conseguir realizar suas atividades normalmente com algumas pequenas adaptações, que com o passar do tempo se incorporarão aos hábitos de todos. Além de reduzir o volume de material polimérico no lixo, a principal contribuição é no repensar do consumo e no incentivo de novos comportamentos. Outras medidas precisam vir em conjunto para que haja uma efetividade na ação, como campanhas de coleta seletiva e apoio à cooperativas de reciclagem.

Muito se fala de quem ganha com o acordo dos supermercados. Realmente o varejista irá ganhar tirando a sacolinha. Mas o maior ganho é social, gerando uma situação que o consumidor se vê obrigado a repensar, reduzir e olhar o problema do lixo como seu, além da redução propriamente dita. Independente do jogo de interesses, deve prevalecer a busca por soluções melhores e mais sustentáveis.

O instituto Akatu, disponibilizou algumas dicas e soluções para o dia a dia sem sacolas plásticas, além de esclarecer alguns pontos controversos sobre a campanha. Para quem se interessar segue o link para conhecer mais.


 Referência: Instituto Akatu


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Impacto Humano: Um oceano de lixo

Este será a primeira de uma série de postagens especiais sobre grandes impactos que o Homem causou no planeta. Lembro a importância do tema para os Engenheiros Químicos, já que uma imensa parte dos impactos advêm de produtos industriais. Para inaugurar está série, o objeto de estudo foram os grandes conglomerados de lixo existentes no oceano, nos quais os resíduos flutuam e se concentram em algumas áreas específicas do oceano.

O lixo, principalmente plástico, advindo do consumo em massa da população mundial viaja pelo planeta e chega aos mares. Estima-se que aproximadamente 10% de toda a produção anual de plásticos chega nos oceanos, a maior parte (80% a 90%) é carregada pelas chuvas e rios de fontes em terra, como aterros sanitários e descarte direto em mananciais e no litoral.

Figura 1 - Impacto causado pelo lixo no oceano

Nos oceanos esse material encontra correntes marítimas que levam grande parte do lixo para alguns pontos específicos do planeta, conhecidos como giros. Nestes pontos uma grande massa de lixo flutua e se concentra devido ao circuito circular das correntes marinhas, como pode-se ver na Figura 2 coincidindo nos pontos de maior acúmulo de material.
Figura 2- Concentração de plástico nos Oceanos
O problema da contaminação das águas marinhas, não está apenas nos objetos plásticos maiores. Alguns materiais expostos as intempéries, podem ser degradados em pedaços muito pequenos de polímero, porém sem degradar sua molécula básica. Isto forma uma verdadeira "sopa" plástica na camada superficial do oceano, local onde o plâncton (microrganismo responsável por 50% da fotossíntese da Terra) absorve parte do material na sua alimentação, e começa a contaminação na cadeia alimentar. Os resíduos ali presentes, podem conter aditivos de plásticos, muitas vezes tóxicos, que são acumulados nos níveis tróficos, chegando até ao prato de comida que nos servimos em casa.

O assunto é bem sério e infelizmente é negligenciado, embora algumas agências ambientais e ONG's tenham tentado minimizar os efeitos altamente nocivos nos ecossistemas afetados. Porém, o rico ecossistema marinho, repleto de vida, torna a simples retirada do material plástico algo ariscado e um imenso desafio devido a presença de vida até níveis microscópicos, como é o caso do plâncton.

Não se sabe ao certo o tamanho e a quantidade de lixo nos oceanos. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que existam cerca de 600 milhões de toneladas de plásticos nos oceanos, sendo que este tipo de resíduo representa cerca de 70% de todos detritos encontrados no mar. Como dito no inicio desta postagem, boa parte do lixo advém da terra, sendo carregado por chuvas e rios. Isto mostra nossa parte da responsabilidade por este problema. O descarte correto de materiais plásticos, assim como a sua reutilização e reciclagem são essenciais para diminuirmos os impactos e as imensas quantidades de resíduos que dispomos no meio ambiente.

Cabe ainda aos engenheiros de materiais e químicos avanços tecnológicos para produção de plásticos biodegradáveis e novas alternativas mais sustentáveis. Outra solução a ser estudada é uma forma de remediar o problema e limpar os oceanos sem agrediar a vida marinha. Acredito que o século XX foi uma época de muito desenvolvimento, mas causou um imenso impacto na Terra. O desafio do século XXI será reparar estes danos e desenvolver tecnologias mais eficientes para preservar o meio ambiente.

Espero que tenham gostado do post, e gostaria de indicar a reportagem da Globo abaixo, falando sobre essas ilhas de lixo que estão presentes nos nossos oceanos.

Até Mais!




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